11 de Janeiro de 2017 - 18h06

Lula defende eleições diretas e saída para crise sem penalizar pobres


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (11), em encontro do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) na Bahia, a realização de eleições diretas o quanto antes, para que o Brasil saia da condição de ilegalidade institucional que vive atualmente.


 

 

Em discurso proferido durante o 29º Encontro Estadual do MST, Lula disse: "É importante a gente não ter vergonha de dizer que quer eleição direta. O (Michel) Temer quer ser presidente? O (José) Serra quer ser presidente? O (juiz de 1ª instância Sérgio) Moro quer ser presidente? Ótimo. Todo mundo que quer ser presidente tem o direito de se candidatar. O que não pode é querer ser presidente dando um golpe, na base da canetada".

Além de Lula, outras lideranças do PT estiveram no evento, como o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, e o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli.

O ex-presidente Lula também falou a respeito da atual crise econômica por que passa o país, bem como sobre as medidas que o governo em exercício de Michel Temer tem tomado sob a justificativa de tentar solucionar os problemas. "A solução da crise não passa por penalizar as classes mais pobres da população, mas incluí-las no Orçamento", defendeu Lula.

Segundo ele, programas sociais realizados durante os governos do PT, de 2003 a 2016, como o Luz para Todos e o Bolsa Família, são uma prova de que investir na qualidade de vida e na capacidade de consumo da população mais pobre são a maneira mais justa e correta de se enfrentar uma crise econômica. "Levar luz para que uma mãe do sertão seja capaz de dar banho quente no seu filho é tão importante como garantir energia para encher a banheira de uma madame da avenida Paulista", comparou o ex-presidente.

Falando a uma plateia de agricultores, Lula lembrou que a agricultura familiar é responsável "pela produção de 70% de tudo que se mastiga nesse país", e que durante seu governo o crédito rural chegou às famílias produtoras tanto quanto chegava antes apenas aos grandes latifundiários.

"É por essas e outras que querem criminalizar a mim e ao meu governo. Somos perseguidos pelos nossos acertos. O que está acontecendo no Brasil é algo anormal. Não se pode sair da esperança que estávamos para a desgraça que estamos hoje. Deus tinha virado brasileiro. Será que desvirou? Eu não acredito."

Lula encerrou sua intervenção falando a respeito da perseguição jurídica de que é vítima atualmente. "Eu achei que tinha encerrado minha carreira política. Mas diante dessas acusações, na hora que ficar claro que não há nada contra mim, só quero que peçam desculpas. Eu aprendi a andar de cabeça erguida nesse país e não vou baixar a cabeça para ninguém."

"Eles querem criminalizar o país. Eles caminham para transformar o PT em um partido ilegal. Eles tentam criminalizar o Gabrielli (ex-presidente da Petrobras), porque houve plataforma de solda que era feita na China, em Cingapura ou na Coreia, que gerava emprego e riqueza lá, que ele trouxe para fazer no Brasil, para formar engenheiros da indústria naval aqui, formar técnicos aqui. Deveriam perseguir estes que agora estão entregando a Petrobras", disse Lula.

O ex-presidente elogiou a conduta de Gabrielli, também presente ao evento.

"Eu quando indiquei um diretor da Petrobras, o cara tinha 30 anos de Petrobras. Nunca a Polícia Federal tinha dito que ele era ladrão, nunca a empresa tinha dito que ele era ladrão. Nunca o Ministério Público tinha dito. Se esses caras cometeram erros, que paguem pelos erros que cometeram. Mas a Petrobras não pode ser vendida por conta disso. A Petrobras é do povo brasileiro. Eles nunca aceitaram quando nos fizemos a lei da partilha, que o petróleo deixou de ser do cara que ia buscar ele lá e passou a ser do povo brasileiro".

Lula insinuou envolvimento dos Estados Unidos no cenário político brasileiro, e pediu investigação de suposto envolvimento dos EUA "junto ao juiz Moro", ao MP e à PF.

Em referência ao atual governo, o ex-presidente afirmou que "eles nunca aceitaram que esse país fosse independente de verdade". "Esse pais é um continente sozinho. Esse país precisa parar de ter complexo de vira-lata".


 Fonte: JB e Brasil 247




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